[...]
Senti um solavanco. Levei a mão direita à nuca como se quisesse segurar a dor, fiquei tonto e me apoiei na parede grossa azulada ao meu lado, eu queria saber se sangrava. Nada de sangue. Ouvi risadas mas não senti raiva ou, sequer, quis revidar. Juntei os livros e cadernos que caíram e fiquei no canto da sala até a aula acabar. A sirene soou alto e a professora não percebeu nada. Eu havia escrito algumas coisas no caderno empoeirado, nada legível. Fui o último a sair.
Alguns dias depois, envergonhado e desviando o olhar como se nada tivesse acontecido, fingindo ser amigável e sendo insuportável, o mesmo garoto que havia me acertado pediu as respostas de algumas atividades que estávamos fazendo em sala de aula. Não. Foi essa a pequena e única palavra que eu usei olhando no fundo dos olhos dele. Assustado ele saiu e eu não me lembro de ele ter falado comigo uma outra vez.
Chega! Eu havia decidido não mais me calar. Eu não iria mais repassar as tão importantes respostas das atividades e muito menos me silenciar quando algo me incomodasse. Eu tinha chegado ao máximo de paciência que eu poderia ter. Nos dias seguintes eu ouvi alguns comentários a respeito da minha mudança de comportamento, isso incomodava algumas pessoas mas não me importei.
Levou um certo tempo e foi desgastante mas eu aprendi a me impor. Fiz isso sozinho. Nenhum conselho. Nenhuma influência.
[...]
Autor: Thiago Delano, (rascunhos).
Senti um solavanco. Levei a mão direita à nuca como se quisesse segurar a dor, fiquei tonto e me apoiei na parede grossa azulada ao meu lado, eu queria saber se sangrava. Nada de sangue. Ouvi risadas mas não senti raiva ou, sequer, quis revidar. Juntei os livros e cadernos que caíram e fiquei no canto da sala até a aula acabar. A sirene soou alto e a professora não percebeu nada. Eu havia escrito algumas coisas no caderno empoeirado, nada legível. Fui o último a sair.
Alguns dias depois, envergonhado e desviando o olhar como se nada tivesse acontecido, fingindo ser amigável e sendo insuportável, o mesmo garoto que havia me acertado pediu as respostas de algumas atividades que estávamos fazendo em sala de aula. Não. Foi essa a pequena e única palavra que eu usei olhando no fundo dos olhos dele. Assustado ele saiu e eu não me lembro de ele ter falado comigo uma outra vez.
Chega! Eu havia decidido não mais me calar. Eu não iria mais repassar as tão importantes respostas das atividades e muito menos me silenciar quando algo me incomodasse. Eu tinha chegado ao máximo de paciência que eu poderia ter. Nos dias seguintes eu ouvi alguns comentários a respeito da minha mudança de comportamento, isso incomodava algumas pessoas mas não me importei.
Levou um certo tempo e foi desgastante mas eu aprendi a me impor. Fiz isso sozinho. Nenhum conselho. Nenhuma influência.
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Autor: Thiago Delano, (rascunhos).
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