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Naquele dia eu deixei meu posto por volta das três horas da madrugada, fazia frio e eu estava exausto. O cansaço mental obviamente era maior do que o cansaço físico. Por quilômetros pedalei, cortando a cidade, sob uma chuva fina, pedindo a Deus que me guiasse até em casa. O medo naquele momento era maior que o cansaço. Eu via coisas assustadoras todos os dias naquele caminho.
Não me faltava responsabilidades naquele momento mas a decisão estava tomada e eu não voltaria atrás. No dia seguinte, cheguei alguns minutos antes do meu horário, o suor se mostrava frio e gatos desciam arranhando garganta abaixo. Retirei o sujo avental preto que cheirava a chocolate em pó, caminhei em direção ao maître e, com a voz trêmula e os olhos afundando em lágrimas que resistiam à queda, me despedi. Todos se assustaram, não por eu estar indo embora mas sim porque não havia ninguém que me substituísse. Saí em silêncio e apavorado com o futuro incerto, chorei de medo.
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Autor: Thiago Delano, (fragmentos).
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