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Sem fôlego, continuei correndo. A impressão que eu tinha era de correr cada vez mais rápido com cada vez menos oxigênio. Eu corria tão rápido que os meus olhos lacrimejavam com o vento frio daquela madrugada. Quis conferir a retaguarda mas continuei correndo focado num ponto fixo imaginário que eu havia criado sabe-se lá porquê. Provavelmente, essa era uma forma de eu não perder o controle das minhas pernas que já se apresentavam em um estado deplorável de tremores involuntários.
Eu via faíscas verdes que oscilavam na mesma frequência dos meus batimentos cardíacos. Eu já não aguentava mais. Não sei se corri sozinho por quilômetros ou se corri sozinho por alguns metros apenas. Sei que não havia ninguém por perto, além de alguns pobres coitados deitados junto ao tapume do maior hospital da cidade. Me apoiei num vergalhão com as pernas ainda trêmulas e enxuguei as lágrimas que, mesmo sem a ação do vento frio, continuavam a percorrer meu rosto pálido.
Caminhei por mais algumas quadras escuras e percebi que a minha camisa estava suja de sangue. Fiz uma rápida conferência em mim e tive a certeza de que aquele sangue não era meu.
Quis um banho quente e uma xícara de café.
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Autor: Thiago Delano, (Fragmentos).
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